A grandeza e a tragédia de Carpeaux na Europa
O destino trágico de um jornalista político na Áustria durante a década
de 1930. Esta é a síntese da trajetória de Otto Maria Carpeaux (1900-1978)
neste país da Europa Central, que já foi o centro do poderoso Império dos
Habsburgos. Em O Danúbio não é azul, Mauro Souza Ventura
reconstitui com riqueza de detalhes e rigor analítico o percurso do jornalista,
ensaísta e crítico literário austríaco-brasileiro que, em março de 1938, foi
obrigado a deixar Viena para escapar da perseguição nazista.
A trajetória europeia de Otto Maria
Carpeaux é aqui reconstituída inicialmente a partir de sua condição de judeu
convertido ao catolicismo. Dividido em cinco capítulos, o livro apresenta ao
leitor a intensa e prolífica atividade deste jornalista e ensaísta que, ainda
jovem, já escrevia com desenvoltura sobre música, literatura, cinema e, em
especial, sobre política.
O livro de Mauro Souza Ventura
estuda a posição crítica de Carpeaux diante do nazismo, assim como a atenção
que ele deu à questão judaica, transformando-se num contundente crítico do
antissemitismo que, na década de 1930, tornou-se cada vez mais forte e
violento. Mas também lança luz sobre a pouco conhecida proximidade de Carpeaux
com o governo de Engelbert Dolfuss, que conduziu a Áustria
a uma guinada autoritária.
Resultado de mais de duas décadas de estudo e pesquisa
de seu autor em arquivos e bibliotecas de Viena e Munique, O Danúbio não é
azul reconstitui a até hoje desconhecida trajetória europeia daquele que
foi um dos mais importantes críticos literários do Brasil, e cujos ensaios
sobre literatura, música e cultura constituem-se num capítulo especial do
processo de formação do leitor e da cultura literária no país, entre as décadas
de 1940 e 1970.